Comecei a me interessar em voluntariado aos 10 anos, em Curitiba - Paraná. Lembro-me que a minha escola apresentou aos alunos a situação de crianças da mesma idade que a nossa, em situações precárias, que, na verdade, só estavam ali estudando porque tinham o apoio de instituições parceiras, como a do meu colégio e também dos voluntários. Imaginem a cabeça de uma criança que tinha tudo o que precisava para ser feliz e, se chocou, pela primeira vez, com a realidade - dura - de outras pessoas? Comecei a me questionar:
- Mas, por que todo mundo na cidade não pode ajudar essas crianças?
- Por que só algumas pessoas se importam e outras não?
Aquela apresentação mexeu comigo. E ali, aos 10 anos, eu descobri que uma das minhas missões no mundo é não só ajudar as pessoas que precisam, mas também, ajudar as pessoas que não precisam a entenderem o quão importante para o mundo seria se elas ajudassem também. Porque tão admirável quanto assistir aos outros, é dar a mão aos que estão a nossa volta e puxá-los, para que assim eles percebam quanto mais uma mão, mais um coração disposto a se doar ao mundo, pode ser a diferença. E assim, antes mesmo da idade que tinha me dito ser permitido se inscrever para ser voluntário, com a ajuda da minha mãe, começamos a trabalhar voluntariamente na APACN, Associação Paranaense de Crianças com Neoplasias. Levamos alguns coleguinhas da escola, juntamos roupas, matérias e lançamos a campanha adote uma criança no Natal. Não parei mais. Hoje em São Paulo, jornalista, viajante, tenho na bagagem mais de dois intercâmbios, eu quero mais. Eu quero na minha bagagem, milhões de sorrisos e um telejornal mais doce, mais humano. Quero que a nova geração crie filhos e não herdeiros.



